quarta-feira, 24 de novembro de 2010

408 - poema sobre sopa de cavalo cansado *

quando vem a madrugada vento-me
no rodopio sinuoso das mariposas
prestes a perder os olhos diáfanos

cada canção reflete um autorretrato
e eu decomponho meticulosamente
arestas do nosso silencio de almas

enquanto houver calçada inclino-me
e cada gesto sob a opaca iluminação
será teu presságio a desencantar-me


*sopa de cavalo cansado é uma canção do dead combo

14 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

Encantas as palavras em redomas! Belo entrelacar! Bjs

Everson Russo disse...

Madrugadas e silencios da alma,,,sempre a nos rodear...abraços amigo de bom dia.

Mai disse...

O silêncio tem um lugar sagrado.
Falecí ao tentar ouvir a música.
silenciei-a.
Mas antes o teu poema me fez abrir um sorriso.

Você garimpa ou colhe pérolas.

cheiros

Ingrid disse...

Assis,
sempre iluminando as manhãs..
beijo.

Wanderley Elian Lima disse...

Em torno das lâmpadas, e pelas madrugadas, elas insetos ou mulheres, cumprem o seu destino de vida breve.
Abração

tania não desista disse...

... mesmo se o poema não fôsse pra lá de encantador...já teria valido a criatividade...do inusitado título.
bj
taniamariza

Dario B. disse...

Dead Combo e Procol Harum. A nostalgia anda a rondar o poeta.

Lau Milesi disse...

Belo, poeta Assis, como as borboletas diáfanas.Mas achei triste...(snif...)
Um beijo.

Bípede Falante disse...

enquanto houver calçada, ainda que quebrada, a gente não consegue andar por um outro caminho, mesmo que pressinta o tombo que esconde no próximo buraco, tombo, em geral, sem a mínima poesia, que os poetas estão como os pássaros cada vez mais distantes das nossas cidades...

Oria Allyahan disse...

Bem triste, apesar de bonito!


=(

AC disse...

Ventamo-nos, cirandamos por aí, perscrutamos o sentido das coisas...
A madrugada anda descompassada.

Abraço

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"decomponho meticulosamente
arestas do nosso silencio de almas"
e quantas vezes da alma mesmo só o silencio como palavra?

Mirze Souza disse...

Que beleza, ASSIS!

Parei na canção que reflete o autorretrato.

A inclinação sublimou o presságio!

Parabéns!

Beijos, poeta MIL!

Mirze

Djabal disse...

A função do poeta é cantar, decantar e decompor. Fazer as gestas com as arestas. Mas, pensando bem, não é função apenas, é sina. Grande abraço.